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A bola não entra por acaso – o que as empresas podem e devem aprender com os clubes de futebol mais ricos do mundo

Olá, caro leitor. Desde 2015, viajo para a Europa para estudar na íntegra o modelo de gestão dos 10 clubes de futebol mais ricos do mundo e, neste estudo inédito aqui no Brasil, em meu retorno, palestro fazendo uma interessante analogia ao contexto das empresas brasileiras, levando a elas estratégias inovadoras inspiradas no mundo do futebol. Pensando assim, vou compartilhar alguns ensinamentos que acredito que sua empresa e seu negócio podem utilizar para refletir e se espelhar, a fim de melhorar a tomada de decisão.

A excelência atingida pelos clubes europeus nos últimos anos é resultado de um trabalho muito bem estruturado, fruto de estratégias e táticas eficazes. Times como Real Madrid e Barcelona (Espanha), Bayern de Munique (Alemanha) e Manchester United (Inglaterra), para citar alguns, podem ajudar, e muito, na melhoria da sua empresa.

Nesta pesquisa, aponto que o sucesso está no modelo de gestão, que se fundamenta em quatro pilares: pessoas certas fazem o que precisa ser feito; clientes são fãs e não somente sócios; gestão de custos é uma variável controlável; e marketing, que traduz comunicação para vender (e muito) com lucro.

As empresas podem e devem aprender com os clubes mais valiosos do mundo. Veja por quê!

  • Aperfeiçoar e ser fiel a uma ideia para fortalecer um modelo de gestão: segundo a pesquisa, praticamente todos os clubes vivem e fortalecem continuamente suas histórias, desde a fundação, e as utilizam para fortalecerem e alinharem as pessoas com sua cultura organizacional. Quando o olhar se volta para as empresas, o cenário é bem diferente: muito se muda e pouco se realiza! Uma empresa não consegue ter um bom time de colaboradores se não tiver um bom esquema tático, ou seja, uma boa estratégia. E ter uma estratégia bem definida é o alicerce do alinhamento interno, visando à competitividade externa. 
  • Comunicação assertiva: eu fiz tours com visitas guiadas pelos dez clubes. É impressionante como, desde o guia até o dirigente mais alto na hierarquia, todos falam uma linguagem única. Existem muitos recursos nas empresas e poucos meios que funcionam. Não adianta ter informações e meios de comunicação ao alcance de todos se não são usados corretamente. 
  • Cumprir uma missão: sempre que os jogadores entram em campo, o que se espera é que os times cumpram com excelência sua missão, que é impedir que o adversário jogue futebol. Como? Mantendo a posse de bola. Nas empresas, muitas vezes os líderes não deixam expressamente claro aos colaboradores qual a missão organizacional. Então, a dinâmica do negócio determinará as prioridades do dia a dia das pessoas. 
  • A cultura organizacional é sempre preservada, aspectos que fazem prevalecer nas decisões internas: mesmo com mudanças de treinador e dirigentes, a filosofia seguida pelos clubes não muda. São “tiranos” com a cultura e não abrem mão disso. Um exemplo é o Arsenal, da Inglaterra. Quase todo o estádio tem imagem dos jogadores, torcedores e até funcionários de baixa hierarquia, todos se abraçando, mostrando que verdadeiramente “a união faz a força”. 
  • Cliente tem que virar fã: os jogos nos estádios da Europa são sempre lotados. A média é de 45 mil pessoas por jogo e com ingressos pra lá de “salgados”. Como os bilhetes são caros, eles estimulam os torcedores a virarem sócios. E para ser sócio de alguns clubes, como o Bayern de Munique e o Barcelona, por exemplo, é preciso entrar em uma fila de espera que pode durar até dois anos. 
  • Desenvolver talentos com visão de longo prazo: a filosofia dos clubes consiste em desenvolver os talentos desde cedo. Portanto, a equipe apresentada pelo time nos dias de hoje é o resultado de anos de trabalho. Um exemplo claro é o da Alemanha, que investe em estruturas para captar e desenvolver talentos pelo mundo. Na Europa, existe o caso vitorioso do Barcelona. A personificação desta filosofia atende pelo nome de Messi: a grande estrela foi contratada aos 14 anos para atuar na equipe do Infantil B e, no momento certo, foi lançando para o time principal. As empresas precisam aprender esta lição com o Barcelona. O motivo? O apagão da mão de obra. Neste contexto, as empresas devem fortalecer seus sistemas humanos e buscar internamente profissionais com as competências necessárias, desenvolvendo as habilidades exigidas para a função que eles desempenharão. Desta forma, a empresa poderá reduzir, e muito, custos com pessoal.

Reforço que, para realizar este estudo, anualmente passo em média 25 dias visitando clubes, entrevistado dirigentes, funcionários, torcedores e lojistas. Além disso, analiso as estruturas das cidades, principalmente o impacto econômico que os clubes têm em suas regiões, conheço a cultura, estudo a economia, demografia, psicografia, relação cliente/empresa e os fundamentos do macro e microambiente empresarial.

Os 10 clubes que mais ricos do mundo

1 Manchester United – 676,3
2 Real Madrid – 674,6
3 Barcelona – 648,3
4 Bayern de Munique – 587,8
5 Manchester City – 527,7
6 Arsenal – 487,6
7 Paris Saint-Germain – 486,2
8 Chelsea – 428,0
9 Liverpool – 424,2
10 Juventus – 405,7

Fonte: 21o Relatório Football Money League – deloitte.com (Temporada 2016/2017)

Marcos Braun

Sobre o Autor: Marcos Braun

Graduado em Pedagogia e Marketing e Especialista em Estratégia e Gestão Empresarial (UFC), com MBA em Marketing e em Gestão de Pessoas (FGV/RJ), MBA Executivo Internacional (University of California - Irvine/EUA), MBA em Finanças e Políticas Públicas (University of Chicago - Illinois/EUA) e MBA Executivo Sênior (COPPEAD/UFRJ). Curso de extensão em Business and Economic Strategies for Managers (Hong Kong - China). Curso de Gestão da Mudança e Competitividade Global (University of San Diego - CA/EUA). Certificação Internacional em Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching e ICC. Practitioner em PNL.
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