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Gestão da cadeia de suprimentos: o que é, por que adotar e como implementar?

Tem sido crescente entre pesquisadores e profissionais a percepção de que as empresas não mais competem de forma isolada, mas entre cadeias de suprimentos. Isto é, entre sistemas de empresas que se interconectam por meio de fluxos de material, capital e informação, com o objetivo de atender às necessidades do consumidor de forma ágil e econômica.

Detrás disso, emergem historicamente o conceito de gestão da cadeia de suprimentos e os desafios que lhe são inerentes, tais como a coordenação eficiente desses fluxos de recursos e o estabelecimento de relações colaborativas de longo prazo entre vendedores e compradores.

Até meados dos anos 1950, os sistemas de produção em massa e as estratégias de liderança em custos representavam as principais fontes de vantagem competitiva para as empresas, que, devido a condições de demanda relativamente estáveis, ocupavam-se com necessidades concretas de gestão de materiais e ganhos de eficiência na produção, sem ter que se preocupar com qualquer tipo de relacionamento de longo prazo com seus fornecedores e até mesmo clientes.

Fatores como a volatilidade dos mercados, a maior rigidez nas regulamentações e a difusão das tecnologias da informação e comunicação, ao longo das décadas de 1960 e 1970, agregaram, à gestão estritamente funcional da produção, ações de coordenação de projeto de rede, informação, transporte, estoque, armazenagem e manuseio de materiais e embalagem, transformando-a em logística integrada da empresa.

Nesse período, desenvolveram-se os sistemas do tipo Material Requirements Planning (MRP), que continham as funções básicas associadas à produção, tais como gestão de pedidos de clientes, previsão de demanda, plano mestre de produção, planejamento da capacidade, gestão das compras, dos recebimentos e dos estoques, dentre outras.

A partir dos anos 1980, com a disseminação do sistema de produção enxuta para o ocidente, a concretização da ideia de zero defeitos em produtos e serviços passa, então, a depender da integração das atividades internas com o ambiente externo. A gestão da cadeia de suprimentos, por conta disso, torna-se fonte de vantagem competitiva, uma vez que, ao envolver relações interorganizacionais e planejamento de longo prazo, otimiza o uso de recursos e cria mudanças inovadoras, coordenando atividades internacionalmente dispersas.

Os sistemas do tipo MRP, por sua vez, evoluem para Manufacturing Resource Planning (MRP II), que, em seguida, transformam-se em Enterprise Resource Planning (ERP) e, mais recentemente, em Supply Chain Operations Reference (SCOR). Os ERPs consagraram-se em todo o mundo como ferramentas de automação e integração das práticas intra-organizacionais de gestão. Os SCORs, por sua vez, referem-se a automação e integração de toda a cadeia de suprimentos, o que ainda é bastante raro, e se constitui como uma fonte extremamente vantajosa de competitividade.

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Raphael Campos

Sobre o Autor: Raphael Campos

Doutorando em Administração e Controladoria pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Mestre em Administração pela Universidade Estadual do Ceará - UECE. Especialista em Estratégia e Gestão pelo Centro de Treinamento e Desenvolvimento - CETREDE da UFC. Graduado em Filosofia pela UECE. Graduando em Administração pela UFC. Tem experiência nas áreas de Administração e Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: Gestão Estratégica, Inovação, Sustentabilidade, Governança, Poder nas Organizações, Economia Política, Teoria do Conhecimento e Epistemologia das Ciências. Atua como pesquisador para empresas como o Centro de Excelência em Inovação do Sistema FIEC.
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