Tomada de decisões O gestor de finanças deve se antecipar para que possa tomar melhores decisões. Isso pode ser feito, por exemplo, através da análise de cenários, observando a volatilidade do mercado, os riscos envolvidos nos investimentos, avaliando o custo de financiamentos, dentre outras questões. Todas as importantes decisões relacionadas às finanças dependerão de variáveis complexas, que precisam estar alinhadas com a estratégia do negócio. A análise de investimentos é um dos mais importantes papéis do gestor financeiro e envolve diversos indicadores de performance, como o Playback, TIR (taxa interna de retorno), VPL (valor presente líquido), dentre outros, e para que as decisões sejam concretizadas, o gestor financeiro precisa se munir de informações provenientes de projeções financeiras, por meio de diversos métodos de análise de investimentos, bem como estar a par da estratégia do negócio.

Melhor decisão

Somente após a análise de cada cenário e suas variáveis é que será possível decidir qual será a melhor escolha. Mas, como saber qual a melhor? Será aquela que apresentar maior retorno, ou seja, que traga melhor rentabilidade no menor tempo, com menor risco e que esteja totalmente alinhada com a estratégia do negócio. A melhor decisão deve fazer com que a empresa cumpra seu papel diante de seus stakeholders (investidores, clientes, fornecedores, dentre outros) e com a sociedade como um todo. A estrutura financeira da empresa também deve ser constantemente avaliada pelos gestores financeiros. Os níveis de endividamento com terceiros (passivos) devem ser monitorados bem como o custo deste capital, tendo em vista que o mesmo onera a empresa e, a depender do modo como foram negociados estes contratos, poderão fazer com que a empresa perca competitividade no mercado.

Conhecimentos e experiências

A apuração mensal e análise do resultado econômico e financeiro também é fator primordial para que as decisões estratégicas em finanças sejam assertivas. Conhecer o lucro operacional através da DRE – Demonstração do Resultado do Exercício, projetar cenários financeiros através do Fluxo de Caixa Projetado, entender os ciclos operacional, econômico e financeiro do negócio, conhecer a necessidade de capital de giro, apurar e analisar periodicamente o EBITDA (representa a geração de caixa operacional da organização), entender e avaliar riscos e cenários, dentre outros fatores, compõem o acervo de conhecimentos e experiências necessárias a que sejam tomadas decisões estratégicas em finanças.">
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IEL
O tal mundo VUCA, suas características e paradoxos

Termo criado por militares norte-americanos nos anos 1990, como forma de descrever as principais características que permitem explicar o mundo no contexto pós-Guerra Fria, o VUCA tem se encaixado perfeitamente também no cenário que suporta o atual ambiente corporativo. Semanticamente falando, trata-se de uma sigla, cuja cada letra assume um requisito presente naquilo que é conceituado como “Mundo VUCA”. Sendo assim, o ‘V’ representa a palavra volatilidade, já o ‘U’ representa incerteza, em inglês uncertainty, o ‘C’ vem de complexidade e, por fim, o ‘A’, de ambiguidade. Cabe ressaltar a presença de certo reforço conceitual à medida em que cada característica é detalhada, o que permite identificar confortável ‘azeitamento’ na formação da sigla.

Qualidade daquilo que sofre constantes mudanças”. Esta costuma ser uma das definições encontradas nos dicionários para a palavra volatilidade, representada pelo V da sigla. Nota-se que as mudanças no mundo têm ocorrido em grande velocidade, bem como seus impactos. Isto não apenas nas tecnologias, mas, principalmente, quanto às preferências, certezas e tendências presentes em todo o cenário atual. Ao que parece, aliás, talvez possa se afirmar que ‘aquilo que ontem era de um jeito, hoje é deste e amanhã será de outro’. Enfim, um mundo volátil se caracteriza pela natureza dinâmica da mudança das coisas.

A maior imprevisibilidade dos eventos justifica a existência da letra U, da incerteza. Segundo os mais conhecidos dicionários de nosso idioma, “a condição ou natureza daquilo que incita dúvida, imprecisão e/ou hesitação”. Fruto também da volatilidade vivida, planejar de forma mais assertiva tem se tornado um grande desafio, cada vez mais difícil de ser estruturado. Isto se deve, também, a dificuldade de se desenvolver maior conhecimento sobre os desdobramentos das ações executadas em nosso dia a dia, tornando ainda mais obscura a expectativa sobre qual o próximo passo a ser dado.

A complexidade, o C, se faz presente por conta de uma interessante característica que ajuda a fortalecer, ainda mais, as anteriores e que diz respeito a existência de muitas conexões, o que torna tudo ainda mais difícil, bem como a maior interdependência entre elas. Tem sido frequente a presença de cenários com elementos que apresentam intensas e pouco claras relações de interdependência. Em suma, maior presença e menor clareza, algo paradoxal, ainda mais típico e natural em um mundo VUCA. O fato é que não é possível afirmar a existência de apenas uma resposta correta, mas sim diversas possíveis respostas para a mesma situação, de acordo com diferentes pontos de vistas que podem estar presentes de forma simultânea.

Tem sido difícil encontrar coerência e/ou seguir uma linha de raciocínio lógico que permita fundamentar, de forma adequada, o porquê de certos fatos. A maior dificuldade no entendimento da natureza das situações presentes que nos cercam, tem permitido compreensões diversos e a proposição de soluções que nem sempre são as melhores. Daí a ambiguidade, o A, segundo alguns de nossos dicionários, “aquilo que pode ter mais do que um sentido ou significado e que permite a existência de sensações de indecisão, hesitação, imprecisão, incerteza e indeterminação”, talvez não por acaso, o que ‘fecha’ a sigla VUCA, a existência de múltiplas interpretações para um mesmo fato.

O entendimento de cada uma das características se faz necessária não exatamente por conta da necessidade de se estereotipar certas realidades e cenários com os quais todos precisamos conviver, mas, principalmente, quanto a relevância de investir em ações que potencializem a perpetuação de um ciclo de movimento constante, passível de gerar maiores índices de evolução e de adaptação às constantes mudanças vividas. Um desafio.

José Renato Sátiro Santiago Jr.

Sobre o Autor: José Renato Sátiro Santiago Jr.

Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo - USP, com pós-graduação em Marketing pela ESPM e em Engenharia de Qualidade pela Universidade de São Paulo - USP. Graduado em Engenharia Elétrica pela Centro Universitário FEI. Consultor nas áreas de Gestão do Conhecimento, Inovação, Capital Intelectual, Gestão de Pessoas, Gestão de Projetos e Lições Aprendidas. Autor de centenas de artigos e livros corporativos, dentre os quais se destacam “Superando os Maiores Desafios Corporativos”, “Gestão do Conhecimento – A Chave para o Sucesso Empresarial”, “Capital Intelectual – O Grande Desafio das Organizações” e “Buscando o Equilíbrio”. Administrador do site www.jrsantiago.com.br, no qual publica e discute temas e conceitos relacionados a Gestão de Projetos, Inovação, Processos e Pessoas.
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